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| COMUNIDADE MARANATHÁ - Reinserindo à sociedade e restaurando a alegria de viver.

Às três da tarde do dia três de janeiro de 2006 sofri a maior perda de minha vida, a morte de meu irmão mais novo. Após nove anos de uma dolorosa luta contra o HIV, meu irmão pôde ter o descanso eterno, mas este consolo não conseguiu aplacar a dor que sua ausência deixou e nem conter o princípio de depressão que batia em minha porta. Sempre fomos muito unidos, e esta amizade somente se intensificou durante o seu tratamento, por isso me encontrei muito sozinha com sua partida, e com a triste sensação de que não ter onde destinar aquele amor que era só dele.
Fui convidada por um amigo a participar de um retiro de fim de semana, e foi assim que conheci a Comunidade Maranathá e desde esse dia senti que gostaria de fazer parte desta obra. Sou psicóloga e com a carência de profissionais desta área na comunidade fui convidada pelo Sr. Martins Cipriano - um homem pequeno diante dos desafios que sua missão lhe exige – a trabalhar em uma das casas de reabilitação de dependentes químicos, resgatar as pessoas do caminho do álcool e das drogas.
O desafio do Maranathá é árduo, porém desde a minha primeira reunião de grupo com os internos da comunidade, pude perceber o quão gratificante era a missão, trabalhar com o homem em sua essência, que desfeito de vaidades por ter perdido tudo em sua vida, teria ali naquela comunidade a oportunidade de reinserção na sociedade, resgatando tudo o que lhe é seu de direito por meio da fé: Seu trabalho, sua dignidade e sua família.
Sem dúvidas a lição que aprendi com o Sr. Martins será levada por toda a vida, na importância da entrega pessoal e diária de servir aqueles que ninguém mais queria, que rejeitados por suas famílias e marginalizados pela sociedade, são ali tratados de igual para igual, pois alguém acreditou que valia a pena contrariar as estatísticas e fazê-los reencontrar na Comunidade Maranathá o amor de Deus e daqueles que outrora se afastavam.
Hoje fundamos uma cooperativa que tem como objetivo a reinserção social dos internos por meio da reciclagem de materiais como óleo e plástico, que serve como o primeiro emprego após a nova vida conquistada.
Não esqueci e nunca esquecerei meu irmão, mas com certeza cada interno ali é para mim como um pedaço daquele que perdi, e por isso posso dedicar-lhes todo o amor que antes não mais tinha dono e com isso pude perceber que o Maranathá não apenas restaura aqueles que se encontram dependentes do uso de álcool e drogas, mas a todos aqueles que precisam reencontrar a alegria de viver.


Palavra do fundador da Comunidade Católica Maranathá,
Sr. Martins Cipriano:
“Desde 1996 o Maranathá escreve uma história de luta e muitas vitórias no combate ao uso de drogas e alcoolismo. Pelo portão de nossa sede já entraram jovens à beira da morte, pais angustiados implorando ajuda, pessoas que já tentaram o suicídio e outras que gastaram absolutamente tudo o que tinham por álcool e drogas. O que nos impulsiona, mesmo diante de nossas dificuldades, é saber que por aquele mesmo portão estão as mesmas pessoas saindo, sorrindo, restabelecidas, prontas para trilhar uma nova vida.”

O Maranathá hoje:

• São onze anos de retiro do Maranathá.
• São sete anos desde a inauguração da primeira casa de acolhimento.
• Cinco casas de acolhimento: Engenho de Dentro, Padre Miguel, Itaboraí, Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
• Mais de 49.000 pessoas participaram do Retiro.
• Mais de 1.680 pessoas foram internadas na Comunidade Maranathá
• Um sonho realizado: “Salvar Vidas”

Nessa história, somos recompensados por homens que são libertos da dependência química e reinseridos à vida por meio desta obra sem fins lucrativos.

Participe do Projeto Generosidade
Entre no site www.editoraglobo.com.br/generosidade e conte sua história do bem. Você pode relatar sua própria ação transformadora ou a experiência de alguém - ou de um grupo - que pratique atos generosos.

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