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| Formação de Jovem Carente

Podemos dizer que um jovem entre 14 e 18 anos, morador da região da Pedreira, bairro pobre da Zona Sul de São Paulo, está fadado a ser um iniciante na criminalidade, principalmente ao analisarmos os dados publicados pela pesquisa da FAPESP em 2004 mostrando o Mapa da Exclusão de São Paulo.
Mas a grande maioria dos jovens sonham em ter uma vida digna com um bom emprego, renda, uma família grande e generosa e, através de uma vida estável, poder ajudar a mudar o mundo: contribuindo para a formação da base da sociedade que é a família, na valorização da imagem da mulher, hoje tão degradada, no avanço das comunidades marginalizadas em não “dar-lhes o peixe mas em ensiná-los a pescar”.
Um destes jovens sonhadores, hoje casado e pai de 3 lindas crianças, é o Prof. Fábio Henrique Cabrini, 32 anos, que através do Centro Educacional de Assistencial de Pedreira (CEAP), trabalha na formação de jovens carentes tanto na parte técnica quanto na parte humana que, segundo a missão e a visão do colégio, é a formação mais importante.
Fundado em 1985 pela OSUC – Obras Sociais, Universitárias e Culturais, o CEAP é um projeto que nasceu do um ideal de diversos profissionais e estudantes, preocupados em organizar um trabalho social sério na Zona Sul de São Paulo. Após um profundo estudo da situação e das necessidades da região, verificou-se que, no bairro de Pedreira, a 30 km do centro da Capital, rapazes de 10 a 18 anos encontravam-se em uma situação de maior risco social, tais como drogas, marginalidade e criminalidade. A região não estava suficientemente apta para atender a demanda por educação que lhes pudesse proporcionar um futuro profissional promissor. O bairro é formado essencialmente por migrantes, onde predominam as favelas, com população estimada em um milhão de habitantes.
Por estes motivos, decidiu-se por implementar uma escola técnica para rapazes de baixa renda com tudo o que uma escola de “primeira linha” pudesse oferecer. E com um diferencial inovador, jamais visto em um trabalho social: um método de formação integral e personalizada. Cada aluno conta com um professor-preceptor especialmente treinado, que o acompanha ao longo de todo o curso com o objetivo de formá-lo como um cidadão responsável.
Atualmente, o CEAP, em sua atividade principal, tem capacidade para 488 alunos e 9 mil m2 de área construída em uma área de 23 mil m2. Oferece cursos livres de Eletricidade Residencial e Industrial, Auxiliar de Informática e Informática Aplicada e Cursos Técnicos de Administração, Telemática e Telecomunicações, com duração de um a dois anos, totalmente gratuitos. A seleção dos alunos é feita por meio de uma prova de conhecimentos gerais e de uma entrevista. Conforme o curso escolhido, a relação candidato / vaga pode chegar a 20 / 1.
O Prof. Cabrini foi aluno do CEAP de Jan/94 a Dez/95 onde fez, na época, o curso de Técnico em Eletrônica.

“Foram os melhores anos da minha juventude pois, além de fazer muitos amigos, me ensinaram que para ter sucesso na vida não é através de obter muito dinheiro ou ter fama mas em ser uma pessoa virtuosa.”

Após 2 anos de formado e inserido no mercado de trabalho, exercendo a função de Técnico em Eletrônica, foi convidado para trabalhar no CEAP para cuidar da área de informática da escola.

“Fiquei muito contente quando recebi o convite e me imaginei trabalhando naquele ambiente cálido e aprazível que sempre presenciei, mas confesso que aceitei com pesar pois, se optasse por seguir a minha carreira no mercado estaria ganhando mais. Com o passar do tempo percebi que recebo muito mais aqui ao ver um destes meus alunos carentes com um bom emprego.”

De 1998 até os dias de hoje tanto Fábio Henrique Cabrini quanto o CEAP foram se desenvolvendo: Fábio tornou-se professor e coordenador do Curso Técnico em Telemática além de ter obtido o título de Mestre na área de Informática pela USP, e o CEAP adquiriu vários títulos em um total de 187 como os de Utilidade Pública Municipal, Estadual e Federal e o reconhecimento do MEC para os cursos Técnicos.
Atualmente um aluno no CEAP custa, em média, R$ 400,00/mês e para manter-se o colégio obtém donativos de pessoas físicas e jurídicas, sendo 90% e 10% respectivamente, sem ajuda financeira do governo.
Alguns dos resultados do CEAP são:
· 400 empresas diferentes já contrataram alunos desde 1997
· 52 entidades já foram parceiras de 1985
· O CEAP é uma das poucas ONG’S do Brasil que consegue contribuir simultaneamente com os 8 ODM estabelecidos pela ONU
· 3.820 alunos já se formaram no CEAP
· Após 3 anos de formado a renda familiar do aluno do CEAP dobra, após 7 anos triplica e após 12 quadruplica.
· Depois de 3 anos de formado 95% dos alunos entram em uma faculdade
· 4% dos alunos formados no CEAP já são empresários
O Prof. Cabrini é um dos 40 professores que há no colégio e o desejo dele para o futuro é este:

“Quero estar cada vez mais próximo dos alunos para poder acompanhá-los no crescimento como um bom técnico e um bom cidadão, pois se um dia eu me beneficiei da água deste rio de caridade, quero canalizá-lo para que muitas pessoas o saboreiem também”.

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