A Santa Casa de Cajuru foi fundada em 1922 e nunca teve dias fáceis, mas também, nunca tão difíceis quanto aos atuais. Somente tem conseguido manter suas portas abertas e honrar o título de hospital filantrópico pelos esforços da Irmandade da Casa de Caridade São Vicente de Paulo, da Prefeitura Municipal de Cajuru e da comunidade cajuruense, São Paulo.
Boa parte dos recursos necessários a saldar o inevitável déficit mensal de hospital que oferece 80% de seus atendimentos a pacientes conveniados do SUS (Sistema Único de Saúde), advém de leilão anual, já na sua sétima edição, do qual nós do Brechó Solidário, sempre colaboramos. Foi durante os preparativos para o leilão de 2007 que surgiu a ideia: “e se nós organizássemos um outro tipo de evento, que tivesse baixo custo, lucros razoáveis e que envolvesse o maior número possível de pessoas da cidade?”. Poderíamos conseguir algum dinheiro e comprar aqueles itens que os fundos do leilão, por ora, não poderiam ser aplicados, pois seu objetivo era reformar centro cirúrgico, comprar monitor cardíaco, incubadora e nossas intenções, sempre ficando para depois. Claro. Tv, colchão, lençol, xícaras de chá, sabemos, não garante o atendimento de qualidade e nem salvam vidas. Porém, também sabemos, amenizam o desconforto, preeenchem as horas, suavizam a dor.
Em nossa primeira reunião compareceram apenas três pessoas, com suas magras sacolinhas de doações. Foi desolador. Porém, já tínhamos um compromisso firmado e aquelas três, viraram cinco, depois quinze e hoje envolvemos quase uma cidade inteira. Somos donas de casa, professoras, bióloga, fonoaudióloga, microempresária, vendedora, funcionária pública. Mas no Brechó, lavamos, passamos, customizamos, reformamos, arrumamos, limpamos e consertamos o que chega a nossas mãos, mãos solidárias que tranformam o velho em novo, ou pelo menos com feição de novo e ainda assim, objeto de desejo de tantas outras pessoas.
Pelo segundo ano consecutivo, temos a sorte de mobilizar parentes, amigos e conhecidos a doarem objetos, roupas e utensílios que estão esquecidos pelos cantos. O primeiro Brechó Solidário aconteceu em 2008 e foi um grande sucesso: as pessoas vinham conhecer, faziam compras e depois voltavam com suas próprias doações e assim, de repente, o que deveria ser uma lojinha se transformou num magazine, o maior da cidade. Podia-se encontrar, praticamente, de tudo em nosso brechó: roupas para ambos os sexos e diferentes idades, sapatos, cintos, bolsas, gravatas, bijuterias, brinquedos, enxovais para bebê, utensílios de cozinha, eletrodomésticos, móveis, livros, CDs, DVDs, discos de vinil... Tudo o que recebemos, carinhosamente doado, é bem-vindo.
Em abril de 2009, realizamos o segundo brechó, outro exemplo de cooperação, doação infinita e alegria em proporcionar oportunidades.
Com nosso empreendimento:
• Alteramos o próprio conceito de “brechó”, em nosso meio, tido como loja de ‘coisas velhas’, ‘sem valor’. Hoje, “brechó” é muito diferente daquilo que aparentava ser.
• Ensinamos as pessoas a resignificação, dar a objetos velhos novas formas de utilidade e valor.
• Possibilitamos às pessoas de baixo poder aquisitivo a dignidade de poder escolher e pagar por seus objetos, sem assistencialismo.
• Conseguimos contribuir com a melhora da Santa Casa, segundo nos informam os que lá trabalham ou necessitam dos seus serviços.
E aprendemos a alegria de fazer a nossa parte.
Nossa equipe realizou também: Primeira Feira da Sobremesa, Cantina da Expogal, Confecção e vendas de cartões postais, Jantar na Gold Meat, Festa na Romana Hall, Segunda Feira da Sobremesa
Com a renda de todos esses eventos foram adquiridos:
19 televisores
12 frigobares
1 geladeira de 280 litros
70 colchões e travesseiros
Colchonetes, purificadores de água, roupas de cama e banho, utensílio para cozinha e lavanderia, uniformes e muitos outros itens.
O Brechó Solidário vai continuar com seus eventos que já fazem parte da história da cidade.
Nosso site: http://www.brechosolidario.com.br
Participe do Projeto Generosidade
Entre no site www.projetogenerosidade.com.br e conte sua história do bem. Você pode relatar sua própria ação transformadora ou a experiência de alguém - ou de um grupo - que pratique atos generosos.